Ana Cristina Leitão

Idade: 53; formação académica: Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas (variante de Estudos Portugueses e Franceses ) pela Universidade Nova de Lisboa; atividade profissional: Docente de alunos pré-universitários; Coordenadora do Departamento de Línguas da Escola Secundária a que pertenço (Línguas: português, francês, inglês, alemão, espanhol e mandarim); Membro do Conselho Pedagógico da escola; Membro da Secção de Avaliação de Desempenho Docente; outras atividades:Assessora da Juventude Feminina Universitária de Schoenstatt de Lisboa e do Ramo das Profissionais; Responsável pela comunidade do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt na República Democrática do Congo.
Instituto Secular Nossa Senhora de Schoenstatt

Que experiências marcaram a minha vida como mulher?

Tive, na minha mãe, uma referência forte de mulher: alguém que me transmitiu valores fundamentais como a fé, o sentido da vida, a dignidade enquanto pessoa, o respeito, a fortaleza, a maternidade (física e espiritual), o acolhimento, a procura da verdade e o agir com reta intenção. Ao longo do meu crescimento, senti-me sempre valorizada na minha identidade própria , consciente de que não crescemos sozinhos e de que o nosso equilíbrio nasce da complementação.
O facto dos meus pais terem pertencido à geração fundadora de Schoenstatt em Portugal permitiu-me a mim e aos meus irmãos crescermos no berço da espiritualidade do Movimento e no mundo dos seus ideais e valores. Fomos consagrados a Nossa Senhora na nossa adolescência, no Santuário Original, a 11 de setembro de 1980 e ao longo da nossa vida, crescemos sempre em ligação com a sua presença maternal.

Em que momentos da minha vida fiz a experiência de Deus?

No contexto de uma vivência familiar forte , com uma referência forte de pai e de mãe, pude experimentar a presença de um Deus próximo , que é Pai e é Providente. Isso foi uma realidade desde a minha infância. A vivência do Santuário-lar familiar trouxe-me essa proximidade com o mundo sobrenatural e , acima de tudo, a experiência quotidiana de um grande respeito pela liberdade de cada um , podendo, assim, qualquer um de nós rezar (ou não) diante de Nossa Senhora.
Nas fases mais difíceis da adolescência, vi a fidelidade com que os meus pais rezavam por cada um de nós, ainda que nem sempre os acompanhássemos. Essa herança valiosa permanece viva no meu dia a dia e no meu santuário-lar pessoal. A experiência de um Deus que é Pai e Mãe, que nos ama profundamente e que respeita a nossa liberdade e as nossas escolhas : essa foi a vivência que vi nos meus próprios pais.

O que considero o desafio para as mulheres de hoje?

Mais do que nunca, somos chamadas a ser testemunhos vivos do que nos identifica enquanto mulheres, encarnando uma missão que ninguém pode assumir por nós. Num mundo sedento e marcado pela solidão, cabe-nos construir pontes, promover laços e vinculações entre as pessoas nos espaços em que atuamos e nos movimentamos, promover a dignidade humana e irradiar uma presença fraterno-maternal, atenta, forte e construtora de paz e de alegria para que, assim, muitos possam fazer a experiência palpável de um Deus presente e próximo e de uma Mãe que nos educa, protege e acompanha em todas as circunstâncias da vida. 

O que quero mudar no mundo através da minha vida?

No dia a dia, experimentamos “na pele” o que significa afirmar convicções e pagar o preço do isolamento, por se “nadar contra a corrente”.Na força da aliança, somos enviados como instrumentos a um mundo cheio de contradições que, ao mesmo tempo que luta por uma maior esperança de vida, mata a vida e destrói o planeta, cavalga tecnologicamente mas parece criar cada vez mais “ilhas” humanas, subsidia guerras e pede a paz.
A partir do nosso santuário-coração, podemos fazer a diferença, oferecendo as graças do acolhimento, transformação interior e envio a todos aqueles a quem estamos ligados no mundo do trabalho, na família, nas relações sociais ou nas tarefas apostólicas.
Ao promover de uma forma consciente espaços de vida, de diálogo e de encontro, em que outros podem repousar e crescer, estamos a viver e a cumprir a missão do 31 de maio, conscientes de que a forma como o fazemos atrai os homens para Deus – homens descrentes que necessitam de sinais vivos, lugares e corações para construir um mundo mais humano e fraterno.
Pessoalmente, posso dizer que muito do meu trabalho e atuação na formação de juventude e de adultos, quer a nível profissional, quer a nível apostólico, passa por promover espaços de encontro, ajudar outros a encontrar caminhos, na certeza de que também eles me desafiam a crescer e a ser coerente com os valores em que acredito. Na alegria e na cruz, sinto-me filha do nosso Pai e experimento no dia a dia o que significa assumir a sua missão e dar a vida por ela.