France de Marolles

Nasceu em 1973 na França e estudou economia. É casada com François-Xavier há 24 anos, mãe de sete filhos e outros quatro que já estão no céu. Em 2010, ela encontrou seu caminho para Schoenstatt através do Santuário de Schoenstatt em Pozuelo, Madri. Naquela época, a família vivia na Espanha devido a uma longa transferência do Sr. Marolles para o exterior, e agora eles estão vivendo novamente em Madri há dois anos.

Que experiências a formaram como mulher?

– O amor de meus pais e o exemplo de minha mãe, que se doou completamente aos seus filhos, formaram a base da minha vida.

– A experiência dos acampamentos de jovens nas montanhas, inspirada na espiritualidade do Foyers de Charité, fundado por Marthe Robin, teve uma forte influência na minha juventude. Eles me deram paz interior e responderam à minha sede de verdade em oposição a um mundo cuja incoerência não me satisfazia. Foi na escola de São João Paulo II que descobri a teologia do corpo e, com o apoio de sacerdotes, encontrei a força para seguir minha vocação de mulher; por meio dos laços de amizade sadios entre mulher e homem, que se desenvolveram durante meus anos de estudo foi-me me permitido dar minha contribuição para a educação e o acompanhamento dos jovens.

– Uma vida cheia de renúncias, – como esposa de um soldado da Marinha, devido à frequente ausência de meu marido, bem como gravidezes difíceis -, desde cedo me levou a abrir-me completamente aos sacramentos, em especial à Eucaristia. Na recepção diária desta, eu experimentei a alegria de estar profundamente unida ao meu esposo e de permanecer unida a ele – apesar de sua ausência – no sacramento do matrimônio. Nosso amor, fundado em Cristo, recebido e dado diariamente em comunhão com meu marido François-Xavier, tem me revelado cada vez mais minha identidade como mulher.

– Cada criança me ensinou a ser mãe, ampliou meu coração maternal e rompeu os limites do meu amor. Inspirou-me a buscar a Deus cada vez mais profundamente na oração e em sua Palavra, da qual eu sempre tiro a água viva para aprender a amar e querer amar.

– A experiência do Santuário, que tive durante 10 anos, me levou a aprofundar a unidade interior do meu ser, na escola de Maria, a Mãe de Deus como educadora, me ensina a desenvolver todas as minhas dimensões como mulher: filha, esposa e mãe.

Em que momentos você experimentou Deus?

– Eu era uma criança assustada e estes medos foram agravados pelos problemas cardíacos de meu pai, que estava muitas vezes no hospital entre a vida e a morte. Quando eu tinha cinco anos, fiz uma peregrinação com minha família a um santuário mariano. Aí fiquei profundamente emocionada com a oração da “Ave Maria”. Depois de voltar para casa, eu rezava esta oração sempre que tinha medo e experimentava o poder de “rezar por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”. Então, experimentei uma paz profunda. Já como criança, Maria me mostrou que cuida de mim como uma mãe a quem posso confiar tudo.

– No primeiro ano de nosso casamento, deixei meu trabalho para seguir meu marido, que começou sua carreira na Marinha. Logo estávamos esperando nosso primeiro filho. No quinto mês tive que ser hospitalizada porque a criança corria o risco de nascer cedo demais, enquanto meu marido estava no mar. Durante este período, senti um forte desejo de ler as Sagradas Escrituras e de ser alimentada pela Palavra de Deus. Deus, meu Pai, me acompanhou todos os dias com sua Palavra. Ele estava perto de mim, especialmente através da oração dos Salmos, onde eu podia gritar todo o meu medo e abandono. Sua palavra foi meu apoio, minha rocha, minha esperança de levar esta gravidez até o fim. Estou certa de que através de sua Palavra, Deus protegeu a nós e a vida de nosso primeiro filho, que, então, pode contemplar a luz do dia.

– Eu tinha um grande desejo de ser amada e acreditava, no início de nosso casamento, que François-Xavier poderia cumprir esse desejo. Mas em Paray le Monial (França), a cidade do Sagrado Coração de Jesus, foi-me dada a graça de entender que somente Deus poderia satisfazer completamente meu desejo de amar e ser amada. Aprendi a adorá-Lo, a me deixar amar por Ele e, assim, a amá-Lo e a meus semelhantes.

– Quando estávamos esperando nosso quinto filho, um erro médico levou ao nascimento e morte prematura desta criança, a quem tínhamos dado o nome de François-Joseph. Durante esta experiência da morte de François-Joseph, eu realmente senti Maria ao meu lado. A palavra “Não tenha medo” estava viva em meu coração. Estou certa de que através de Maria, Deus esteve perto de mim nesta hora de profundo sofrimento. Nós derramamos muitas lágrimas de dor por François-Joseph, mas elas foram fecundas no respeito mútuo, na unidade e amor em nosso casamento.

-Em 2009, sem muito aviso prévio, fomos transferidos para Madri. O primeiro período deste súbito desenraizamento foi difícil, tanto para as crianças como para mim, pois não falava uma palavra em espanhol e meu marido permanecia fora durante semanas. Experimentamos nossa impotência diante dos desafios que enfrentamos. Nesta situação de desenraizamento, descobri o Santuário de Schoenstatt onde, desde o primeiro dia, me senti em casa, acolhida em minha pequenez e cercada de amor incondicional. Neste lugar eu vivenciei, por meio de Maria, uma proximidade mais profunda de Deus. Vejo que ambos me ajudam diariamente a educar meus filhos, a apoiar meu marido e a sempre encontrar uma solução para cada problema. Sinto a proximidade de um Deus Pai, que me ensina a aceitar-me em minha pobreza e que manifesta a sua força em minha fraqueza. Experimentamos a Divina Providência que cuida de nós quando confiamos nela.

Que desafios você vê para as mulheres hoje em dia?

O desafio para as mulheres é transmitir a fé e educar para o amor, acolhendo os outros, escutando-os, servindo-os e doando-se a si mesmas.

Também em aceitar sua originalidade, seus talentos, mas também suas fraquezas, assumindo o desafio de ser totalmente mulher como complemento e enriquecimento para o homem. Sua tarefa é construir uma ponte entre Deus e os homens e, na escola de Maria, aprender todos os dias a entregar-se por aqueles que lhe são confiados.

O que você quer mudar em sua vida no mundo?

Com a graça de Deus, quero conduzir o mundo ao caminho da beleza, do amor e do serviço – que se abandone livremente e com alegria à orientação de Maria, a qual nos conduz a Jesus e, assim, à plenitude do amor. Eu peço a graça de ser uma humilde custódia e de aprender cada vez mais a me deixar amar e aceitar por Cristo em minha pobreza. Quero dar testemunho de seu amor misericordioso que me salva diariamente e me enche de alegria e esperança.